Nos últimos dias muito tenho me questionado sobre a imagem brasileira formada no imaginário das pessoas do mundo todo. E, quando se analisa esse tema é impossível desconsiderar que constantemente vemos celebridades internacionais falarem mal do Brasil(sem o mínimo de senso e uma abastada dose de hipocrisia), como os atores americanos Robin Williams, que em um programa de auditório (Late Show da emissora americana GNT, apresentado por David Letterman) fez piadas sobre a conquista do Brasil em sediar as Olimpíadas, ou Silvester Stallone, que como vocês devem saber, além de fazer comentários maldosos sobre a nossa pátria e se justificar mal e porcamente ainda doou uma verba para que fosse construída uma estátua em sua homenagem no Rio, onde gravou o possível último filme de sua carreira como ator - assim espero pelo bem do cinema! - "Os Mercenários".
Enfim! Além desses "super astros"que nem vale a pena me reter à eles porque mesmo com seus poderes de influenciar as massas com suas ironias e piadinhas, são casos isolados, ouço criticas dos próprios brasileiros sobre uma possível razão para a formação dessa imagem: a indústria cinematográfica brasileira.
Concordo que o nosso cinema expressa sim tudo o que o Brasil tem de pior, mas o faz porque ainda tem um viés critico muito forte em sua essência, e não faz simplesmente como em outros países que possuem uma indústria cinematográfica muito mais produtiva, porém, seus filmes na maioria são apenas filmes para entretenimento da população, rasos de qualquer reflexão ou critica.
Sendo assim, não vejo problema algum nos filmes nacionais que anunciem e critiquem os problemas da nação, o problema esta nos "gringos" que assistem nossos filmes e julguem os problemas ali anunciados como uma totalidade no país, como se aquilo houvesse ocorresse em todos os lugares o tempo todo e o país fosse um caos. Exemplificando, quando um americano ou europeu assistem "Cidade de Deus" e concluem que o crime organizado no Brasil já se tornou uma mazela irremediável na formação do país e que as ruas vivem a mercê dos bandidos com tiroteios a toda hora, quando vem "Baixio das Bestas" e pensam o mesmo sobre a prostituição,principalmente a infantil, e acham que maioria das brasileiras são prostitutas, ou já o foram, ou ainda quando assistem "Abril Despedaçado" e imaginam o Brasil como um país arcaico onde familias se destroem em guerras banais - (sendo que pra mim Guerra e banalidade são quase sinônimos! - em condições extremadas de miséria.
Ao meu ver, se de fato as pessoas lá fora pensam assim, não devemos nos preocupar com essas opiniões deturpadas de pessoas iludidas. O problema no caso não está em nosso cinema e sim na formação de conceitos gratuitos a complexa e contrastada constituição da nação brasileira.
Os problemas do Brasil retratados em seu filmes não diferem muito com os dos problemas dos E.U.A por exemplo, como o Crime organizado, que lá também existe como é retratado na clássica trilogia "O Poderoso Chefão"(I,IIe III) e em "Scarface", ou a prostituição infantil retratada em "Táxi Driver" na pele da então atriz mirim Jodie Foster,entre outros. Filmes americanos esses,que são excelentes, em grande parte por esmiuçar os problemas sociais e,ou criticá-los.
Devemos sim nos preocupar quando o cinema estrangeiro se apropria dessa falsa imagem para suas produções, em filmes como "Os Turistas" ou "Bem vindo a Selva" - que particularmente de brasileiro, no primeiro caso, só vejo alguns poucos atores, e no segundo nem isso, e de resto, em nada se identifica ao nosso país.
Sendo assim quero pedir que os brasileiros se orgulhem do seu cinema e se forem ao exterior (ou no país mesmo se for o caso)não se curvem diante de comentários equivocados de ex-turistas que julgam em um mês de estadia conhecer toda uma nação ou espectadores que acreditam ter feito igual façanha pelo cinema, e debatam com os diversos argumentos qualificativos que o Brasil nos oferece em toda sua diversidade cultural e artística, social, etc.
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